Lançado em 2020, Minari: Em Busca da Felicidade é um drama intimista que mergulha na vida de uma família coreana imigrante tentando construir futuro no interior dos Estados Unidos nos anos 1980. Inspirado na infância do diretor Lee Isaac Chung, o filme equilibra delicadeza e dureza ao retratar a luta por pertencimento, a força dos laços familiares e o simbolismo da natureza como espelho da vida.
Imigração e identidade
O filme acompanha Jacob Yi (Steven Yeun), que decide abandonar a Califórnia para tentar a sorte no Arkansas, onde planeja cultivar minari, uma erva típica coreana. A mudança é também um choque cultural: ao mesmo tempo em que buscam se firmar como americanos, a família Yi precisa preservar suas raízes, seu idioma e sua herança afetiva.
Essa tensão entre assimilação e identidade própria faz de Minari um retrato universal da experiência imigrante, ecoando histórias de milhões de famílias que atravessam fronteiras em busca de um futuro melhor.
Família e resiliência
Mais do que um relato econômico, Minari é um filme sobre afeto e resiliência. A chegada da avó Soon-ja (Youn Yuh-jung), com seu humor peculiar e sabedoria prática, amplia as tensões domésticas, mas também fortalece os vínculos entre gerações.
O coração do filme está nesse equilíbrio frágil entre amor e conflito, esperança e frustração. A família Yi é constantemente testada, mas encontra força justamente no convívio e na persistência em permanecer unida.
O sonho americano sob questionamento
Ao mostrar os Yi trabalhando arduamente para sustentar a fazenda, o filme desconstrói a visão idealizada do “sonho americano”. A prosperidade não surge como recompensa automática do esforço: ela é incerta, vulnerável às forças do mercado e da própria natureza.
Nesse sentido, Minari expõe os sacrifícios invisíveis que sustentam o mito do sucesso americano, revelando como esse sonho é atravessado por desigualdades sociais, culturais e econômicas.
Natureza e sobrevivência
O minari, planta resiliente que cresce em qualquer terreno, é a metáfora central da narrativa. Assim como a erva, a família Yi tenta criar raízes em solo hostil, adaptando-se às adversidades sem perder sua essência.
A relação entre terra, cultivo e sobrevivência dá ao filme uma dimensão quase poética: cada cena no campo reforça a ideia de que a vida, assim como a natureza, é imprevisível, mas também fértil em possibilidades.
Impacto e legado
Minari conquistou aclamação mundial, com seis indicações ao Oscar em 2021, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator (Steven Yeun, o primeiro asiático indicado na categoria). O grande triunfo veio com Youn Yuh-jung, que se tornou a primeira atriz coreana a vencer o Oscar, levando o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.
Além do reconhecimento da Academia, o filme levou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e consolidou-se como uma das representações mais sensíveis da experiência imigrante na história recente do cinema.
