Estreada em 2023 na Netflix, DNA do Crime é uma série brasileira criada por Heitor Dhalia, Bernardo Barcellos e Leonardo Levis. Com duas temporadas disponíveis, a produção acompanha investigadores da Polícia Federal em Foz do Iguaçu após um grande assalto no Paraguai. Inspirada em acontecimentos reais, a narrativa combina ação, análise de vestígios e o avanço de uma investigação sobre redes criminosas transnacionais.
A ciência conduz o conflito central
A primeira temporada parte de um roubo a uma empresa de segurança em Ciudad del Este, no Paraguai. Os responsáveis deixam o local, mas vestígios biológicos passam a orientar o trabalho da Polícia Federal. A partir de amostras de DNA, os agentes procuram estabelecer conexões entre suspeitos, crimes anteriores e estruturas de apoio ao grupo.
O uso da perícia diferencia a série de narrativas policiais concentradas apenas em confrontos e perseguições. Em DNA do Crime, a investigação depende da coleta, catalogação e comparação de evidências. Esse caminho reforça a importância de métodos técnicos, cooperação entre áreas e preservação de provas para o enfrentamento de crimes complexos.
Roteiro amplia a noção de crime organizado
A série apresenta o assalto inicial como parte de uma estrutura maior, capaz de atravessar cidades, estados e fronteiras. A investigação conduzida por Suellen e Benício deixa de buscar apenas executores e passa a observar relações, rotas, financiamento, logística e hierarquias ligadas aos crimes.
Na segunda temporada, a Quadrilha Fantasma ocupa posição central após novas operações e a fuga de Isaac, conhecido como Embaixador. A ampliação da escala mostra que prender integrantes de uma organização não encerra necessariamente sua atuação. A narrativa trabalha, assim, a diferença entre responsabilizar indivíduos e desarticular redes que podem substituir seus membros.
Personagens expõem tensões entre método e impulso
Maeve Jinkings interpreta Suellen, agente cuja atuação está associada à análise de informações e à coordenação da investigação. Na segunda temporada, a personagem enfrenta a necessidade de assumir responsabilidades de liderança, em um ambiente marcado por risco, pressão e decisões rápidas.
Rômulo Braga vive Benício, investigador experiente que carrega perdas pessoais relacionadas aos casos que acompanha. A construção do personagem explora o limite entre persistência profissional e envolvimento emocional. Thomás Aquino, como Sem Alma, e Alex Nader, como Isaac, representam o outro lado do conflito, no qual reputação, planejamento e circulação entre territórios se tornam instrumentos de poder.
Direção combina espetáculo de ação e investigação
Sob direção geral de Heitor Dhalia, DNA do Crime alterna sequências de assaltos, explosões, operações e perseguições com momentos de análise técnica e cruzamento de dados. A estrutura aproxima dois formatos frequentes do gênero: o thriller de ação e o drama investigativo.
A fronteira entre Brasil e Paraguai não funciona apenas como cenário. Ela organiza a tensão da série ao evidenciar os desafios de investigar crimes que envolvem diferentes territórios e instituições. A produção mostra que grupos criminosos podem aproveitar rotas e limites jurisdicionais, enquanto a resposta pública depende de articulação, inteligência e troca de informações.
Relevância está na valorização da evidência e da cooperação
A inspiração em uma investigação relacionada ao assalto de 2017 contra uma unidade da Prosegur, em Ciudad del Este, dá à série uma base reconhecível para discutir o uso de ciência forense. Segundo informações fornecidas pela Netflix, a apuração identificou mais de 50 perfis de DNA ligados a participantes do crime, permitindo conexões com outras atividades do crime organizado.
Ao tratar a perícia como elemento decisivo, DNA do Crime também desloca o foco do heroísmo individual para o trabalho coletivo. Laboratório, inteligência, investigação de campo e comando aparecem como partes interdependentes de uma mesma resposta. A terceira temporada foi confirmada pela Netflix, mas ainda não havia sido disponibilizada até o período considerado nesta pauta.
