Lançado em 2021, Beckett acompanha um turista americano que, após um acidente trágico na Grécia, se vê no centro de uma perseguição inexplicável. Estrelado por John David Washington, o longa constrói um suspense direto e angustiante, onde sobreviver passa a ser prioridade — mesmo sem entender completamente o motivo da ameaça.
Um homem comum no lugar errado
A narrativa acompanha Beckett, interpretado por John David Washington, que viaja pela Grécia ao lado da namorada. Após um acidente devastador, sua vida muda radicalmente: de turista, ele passa a ser alvo de uma caçada implacável.
O diferencial do filme está justamente nesse ponto. Beckett não é treinado, não domina estratégias de combate e tampouco entende o contexto em que foi inserido. Isso transforma a trama em uma experiência mais crua, onde cada decisão carrega incerteza e risco real.
Sobrevivência antes da compreensão
O conflito central do longa se constrói na tensão entre sobreviver e entender. Beckett corre, se esconde e reage antes mesmo de conseguir organizar o que está acontecendo ao seu redor.
Essa escolha narrativa reforça uma sensação de desorientação constante. O espectador acompanha o protagonista em um estado de confusão quase permanente, refletindo uma realidade em que nem sempre há tempo para respostas — apenas para ação.
Política, paranoia e desconfiança
Ao longo da fuga, o personagem cruza com figuras que ampliam o cenário de tensão, como Lena, vivida por Vicky Krieps, e agentes ligados à embaixada americana, interpretados por Boyd Holbrook.
Esses encontros revelam um pano de fundo político que nunca se explica por completo, mas que pesa sobre cada movimento. O filme sugere um ambiente onde interesses institucionais e decisões de poder podem impactar diretamente a vida de indivíduos comuns, muitas vezes sem aviso ou proteção.
A perseguição como experiência física
Diferente de thrillers mais estilizados, Beckett aposta em uma abordagem mais física e direta. O desgaste do protagonista é visível: ferimentos, cansaço e medo se acumulam ao longo da narrativa.
Essa escolha aproxima o filme de uma experiência mais realista. A fuga não é elegante nem coreografada — é improvisada, dolorosa e, muitas vezes, caótica. O corpo de Beckett se torna o principal indicador do impacto da situação.
Estilo enxuto e tensão contínua
Dirigido por Ferdinando Cito Filomarino, o longa mantém um ritmo constante, evitando grandes explicações e apostando na progressão da tensão.
A narrativa segue a lógica do “homem em fuga”, mas sem glamourizar o processo. O foco está na urgência e na sensação de perigo iminente, criando um suspense que se sustenta mais pelo desconforto do que por reviravoltas complexas.
Recepção e circulação global
Beckett estreou no Festival de Locarno em agosto de 2021 e chegou ao catálogo da Netflix poucos dias depois.
A recepção crítica foi mista, com avaliações que destacaram a intensidade da atuação de John David Washington e a proposta mais crua do thriller, mas também apontaram limitações no desenvolvimento do roteiro.
