Lançado em 2021, Cruella apresenta uma releitura ousada da icônica vilã, acompanhando sua trajetória antes de se tornar um dos nomes mais marcantes do universo de 101 Dálmatas. Ambientado na Londres dos anos 1970, o longa mistura moda, rebeldia e drama pessoal para contar como uma jovem criativa transforma dor em identidade.
Da sobrevivência à criação de uma persona
Dirigido por Craig Gillespie, o filme acompanha Estella, interpretada por Emma Stone, uma jovem talentosa que cresce à margem da sociedade, vivendo de pequenos golpes ao lado de seus parceiros.
Desde cedo, ela demonstra um olhar criativo diferenciado, especialmente no universo da moda. No entanto, seu talento convive com uma personalidade inquieta, marcada por perdas e pela sensação constante de não pertencimento — elementos que se tornam combustível para sua transformação.
Moda como linguagem de poder
Ao ingressar no competitivo mundo da alta-costura, Estella cruza o caminho da Baronesa von Hellman, vivida por Emma Thompson. A estilista representa o ápice do poder e da sofisticação — mas também um modelo de autoridade rígida e implacável.
Nesse cenário, a moda deixa de ser apenas estética e passa a funcionar como ferramenta de expressão e confronto. Cada criação de Cruella surge como uma resposta direta ao sistema que tenta controlá-la, transformando desfiles em verdadeiros atos de provocação.
Identidade entre criação e vingança
A narrativa ganha intensidade quando segredos do passado vêm à tona, conectando Estella à própria Baronesa de forma inesperada. A partir desse momento, a busca por reconhecimento se mistura com um desejo de acerto de contas.
A construção de Cruella como persona não acontece de forma instantânea. Ela surge como resultado de conflitos internos, onde criatividade e ressentimento caminham lado a lado. O filme propõe, assim, uma reflexão sobre até que ponto a identidade é escolha — ou reação ao mundo.
Parcerias e raízes que não se apagam
Mesmo em meio à ascensão, Estella mantém ao seu lado Jasper e Horace, interpretados por Joel Fry e Paul Walter Hauser. A dupla representa o vínculo com suas origens e adiciona leveza à narrativa.
Essas relações funcionam como contraponto à frieza do universo da moda. Ao mesmo tempo em que Cruella se reinventa, o filme lembra que sua trajetória também é construída a partir de afetos e alianças.
Estética punk e espetáculo visual
Ambientado em meio à explosão cultural da Londres dos anos 1970, o filme incorpora elementos do movimento punk em sua identidade visual. Figurinos ousados, trilha sonora marcante e uma direção estilizada ajudam a construir uma atmosfera vibrante e provocativa.
Esse cuidado estético foi amplamente reconhecido, incluindo a vitória do Oscar de Melhor Figurino — um reflexo direto da importância da moda como eixo central da narrativa.
Ascensão em um sistema desigual
A trajetória de Estella também evidencia as barreiras enfrentadas por quem vem de origens marginalizadas ao tentar ocupar espaços elitizados. Sua entrada no mundo da moda não é apenas uma conquista individual, mas também um enfrentamento direto às estruturas que limitam quem pode — ou não — ser visto.
Ao transformar sua diferença em marca registrada, a personagem desafia padrões e redefine o próprio lugar dentro desse sistema.
