Men Up, drama britânico escrito por Matthew Barry e dirigido por Ashley Way, estreou em 29 de dezembro de 2023 na BBC One. Ambientado em Swansea, o telefilme acompanha cinco homens que participam de um estudo do medicamento que ficaria conhecido como Viagra. Com Iwan Rheon entre os protagonistas, a produção aborda as relações entre saúde sexual, vergonha e convivência afetiva.
Um acontecimento real como base para a ficção
A narrativa se inspira em um estudo clínico realizado no Hospital Morriston, em Swansea, em 1994. Meurig, Colin, Tommy, Pete e Eddie, entretanto, são personagens fictícios. Essa distinção delimita a proposta: o filme utiliza um episódio da pesquisa médica para construir histórias sobre experiências pessoais, sem reproduzir as biografias dos participantes reais.
O roteiro reúne homens com diferentes situações familiares e afetivas em torno de uma expectativa comum. A participação no estudo oferece um ponto de encontro para conflitos que antes permaneciam privados. O interesse dramático está nas mudanças que essa convivência provoca e nas dificuldades que continuam presentes para além da possibilidade de tratamento.
O silêncio dentro dos relacionamentos
Meurig, interpretado por Iwan Rheon, e Ffion, vivida por Alexandra Roach, formam um dos núcleos conjugais da trama. A dificuldade de conversar sobre a intimidade interfere na maneira como cada um interpreta o comportamento do outro. O silêncio deixa espaço para dúvidas que não se limitam à atividade sexual.
Colin, interpretado por Steffan Rhodri, enfrenta a perspectiva de uma nova relação após a morte da esposa, enquanto Pete, vivido por Phaldut Sharma, deposita no estudo expectativas ligadas ao casamento. As situações permitem distinguir desejo, companhia e confiança. Nessa leitura, os personagens procuram uma resposta física, mas também precisam reconhecer o que esperam de seus vínculos.
Elenco e direção entre humor e sofrimento
O elenco reúne diferentes formas de expressar constrangimento, esperança e resistência à exposição pessoal. Em entrevista ao I Talk Telly, Rheon destacou a combinação de drama e comédia como parte da proposta do projeto. Essa orientação coloca um desafio para a direção: permitir o humor sem transformar a condição dos personagens em sua única característica.
Na avaliação de Matthew McMillan, do The Upcoming, Rheon e Roach conferem sutileza à relação entre Meurig e Ffion, considerada por ele a história mais desenvolvida do conjunto. A observação destaca a importância das atuações para dar especificidade aos conflitos. O casal precisa existir como relação construída ao longo do tempo, além de representar uma questão abordada pelo roteiro.
Ritmo e limites da narrativa coletiva
A distribuição de várias trajetórias em cerca de uma hora e meia produz ressalvas na recepção crítica. McMillan considera que algumas passagens se aproximam de episódios apressados, especialmente no desenvolvimento de Pete e Alys. Daniel Keane, do The Standard, também questiona a construção dos personagens e o efeito emocional das resoluções.
Essas avaliações apontam uma tensão entre abrangência e aprofundamento. A estrutura coletiva permite reunir experiências distintas, mas reduz o tempo disponível para acompanhar cada transformação. Para a análise do filme, importa observar se as mudanças resultam da convivência e das decisões dos personagens ou se aparecem principalmente para encaminhar a mensagem pretendida.
Masculinidade, pertencimento e acesso
Tommy, interpretado por Paul Rhys, acrescenta ao drama uma questão de exclusão: na história, ele esconde que é gay para participar de um estudo destinado a homens heterossexuais. Seu conflito amplia o debate sobre vergonha, mostrando que o silêncio também pode ser produzido pelas condições impostas por uma instituição. Por se tratar de um personagem fictício, essa trajetória deve ser entendida como construção dramática.
A aproximação entre os participantes permite, por sua vez, questionar a associação entre desempenho sexual e valor pessoal. O grupo oferece um espaço de reconhecimento que os personagens tinham dificuldade de encontrar. A relevância cultural de Men Up está nessa possibilidade de representar homens que precisam de cuidado, comunicação e apoio, enquanto sua realização enfrenta o desafio de transformar essas questões em trajetórias com desenvolvimento próprio.
